A Tuna da Associação dos Bombeiros Voluntários de Velas, o Grupo de Cordas das Manadas, a Orquestra e o Coro da Musicodesporarte, Lda são os Grupos Musicais presentes no Concerto Solidário, promovido pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, que no próximo dia 17 de maio, sábado, reúne, igualmente, no Auditório Municipal das Velas o Centro de Atividades Ocupacionais de Velas, Centro de Atividades Ocupacionais da Santa Casa da Misericórdia da Calheta, Grupo de Teatro da Santa Casa da Misericórdia das Velas e Gimni Centro Health Club.


Poetas açorianos, entre os quais alguns jorgenses, marcarão presença na voz de Belarmino Ramos, responsável pela seleção de poemas, também ele poeta, ator e encenador. Lina Monteiro e Andreia Melo evocam alguns dos nomes que nasceram ou passaram pela ilha, escrevendo sobre as suas belezas e a sua singularidade.


Marla Monteiro, acompanhada por António Pedroso, recorda Francisco Lacerda, numa viagem musical e poética cujo tema central é a saudade. Saudade que se revela nas vivências seculares da açorianidade e que estará representada em diferentes formas.


Por ser solidário, todos os participantes atuam gratuitamente e cada espetador é chamado a apoiar do modo mais simples: com o donativo que entender ou puder oferecer, anonimamente. Os que mais precisam serão os recetores deste gesto de solidariedade.


 

Nota de Imprensa da Presidência da ALRAA - Discurso de S. Exa a Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Ana Luís, no Concerto no Auditório Municipal das Velas integrado no Parlamento Solidário..

 

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Velas
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Calheta
Exma. Senhora e Senhores Deputados
Exmas. Autoridades
Caros Convidados
Amigos

Deste Auditório Municipal, gentilmente cedido para este evento, envio uma saudação a toda a ilha: do Topo a Rosais, da Calheta às Velas, do norte ao sul, e muito especialmente uma saudação amistosa a quantos participam neste evento promovido pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. 


Não posso deixar de começar por agradecer a vossa presença e a participação graciosa de todos os que atuam neste palco esta noite.
Bem-hajam por se terem associado a nós neste projeto solidário!

Um agradecimento muito especial à Câmara Municipal de Velas, pela sua hospitalidade, disponibilidade e simpatia.

Este Concerto só é possível graças a todas estas pessoas e entidades que entenderam por bem colaborar com a Assembleia neste projeto cujo objetivo primeiro é a valorização da ilha e dos jorgenses, já que cada ilha integra uma pluralidade significativa dentro do contexto açoriano.

Ilha de pele de esmeralda, como caracterizou Carlos Faria; seta lascada de sílex, esguia e majestosa, como a apresentou Belarmino Ramos; ilha onde chovem estrelas e passeiam os Deuses em cavalos de coral, como poetizou Lourdes Blayer; ilha promessa no olhar da gente, como viu Lídia Barros; e tantas outras e tantos outros cuja menção seria impossível pela quantidade das referências possíveis. Realçaremos apenas alguns dos seus filhos mais notabilizados na área da música e da poesia e recordaremos outros que já partiram mas continuam entre nós porque a sua obra é imortal, como Francisco Lacerda.
 
Este projeto, que a Assembleia leva a todas as ilhas no âmbito do Parlamento Presente, também se revê noutros conceitos culturais, solidários e inclusivos, mas também intergeracionais, abertos, participados.
A proximidade e a memória ocupam igualmente nesta partilha um lugar de relevo. Uma memória que remete para a identidade açoriana, eivada de uma centelha fulgurante chamada saudade.
E é precisamente a saudade o mote central desta noite. Como uma homenagem a toda a nossa insularidade, tão magnificamente descrita e cantada por alguns dos nossos artistas.

Se atendermos bem a todas as vivências e ao imaginário da nossa dimensão geo-humana, a saudade como fruto de um desterro ou de um sonho, de uma cultura enraizada tanto na territorialidade como na atlanticidade, nunca deixa de estar presente.

Nos que partem e nos que ficam.

Nos que foram em busca de futuro – como os estudantes que tão cedo e tão sozinhos se apartavam dos pais – e dos que procuraram melhores condições de vida como os emigrantes, levando no coração os sons, as tonalidades, os cheiros e os gostos da sua ilha natal.
Dos que fugiram fustigados pelos sismos, pelas adversidades da vida ou do isolamento das ilhas.

Dos que seguiram as suas famílias e dos que as deixaram no luto da saudade.

Dos que ansiaram por um reencontro com os seus entes queridos e dos que tiveram a ventura de se reunir a eles um dia.

Dos que secaram lágrimas à míngua de cartas e dos que enviaram as sacas da América para ajudar quem ficou na luta, agarrado ao seu monte de lava, como escreveu Vitorino Nemésio.

Esses montes de lava são a nossa casa geológica, a nossa herança geográfica, a nossa história de quase seis séculos, a força telúrica que nos une e a nossa inspiração artística. Neles resistimos e com eles partimos, levando a ilha connosco.
Numa experiência diferente em cada geração, é certo, mas com a tónica comum da insularidade, do cheiro a maresia, das tremuras do basalto, das ressonâncias da ausência e da saudade.

Saudade. Sentimento indefinível que o cancioneiro popular imortalizou como um luto, uma dor, uma aflição. Um cortinado roxo que nos cobre o coração.
Que António Severino musicou na partida do estudante, no fado à mãe. Que algumas pessoas com dificuldades especiais vão expressar neste palco, à sua maneira, tocando o fundo da nossa sensibilidade e consubstanciando a firmeza da nossa solidariedade.

Que outros grupos vão cantar e tocar evocando apegos, reminiscências de outrora, simbolismos da ilha e dos seus prolongamentos migratórios, mas também pontes para o futuro.

Este é um concerto solidário. Estamos todos juntos para oferecer hoje, aqui, uma dádiva a uma das instituições particulares de solidariedade social, da ilha de S. Jorge. É o nosso dever de cidadãos que nos chama, é o gosto pela partilha que nos impele.
É também um pouco desse sentimento de saudade por todos os que ficaram connosco, mesmo partindo, e essa vontade de dar aos que vivem ao nosso lado de modo diferente, precisando de um outro olhar, um novo sorriso, uma esperança.
É por tudo isto que aqui estou convosco celebrando a ilha e os seus filhos, a saudade do passado e a esperança do futuro que estamos a construir.
Muito obrigada!

Ana Luísa Luís
Presidente da Assembleia Legislativa
Região Autónoma dos Açores

(versão p/impressão)


 

Nota de Imprensa da Presidência da ALRAA - Concerto Solidário em São Jorge.

A saudade foi o mote central do Concerto Solidário promovido pela Assembleia Legislativa em São Jorge, na noite de 17 de maio. Saudade cantada, tocada, dançada, dita e evocada por artistas jorgenses, em homenagem à ilha.


“Se atendermos bem a todas as vivências e ao imaginário da nossa dimensão geo-humana – sublinhou a Presidente -, a saudade como fruto de um desterro ou de um sonho, de uma cultura enraizada tanto na territorialidade como na atlanticidade, nunca deixa de estar presente.”


Ana Luísa Luís focou diferentes cambiantes da saudade, definindo o património ilhéu - montes de lava a que estamos enraizados, parafraseando Vitorino Nemésio -, “a nossa casa geológica, a nossa herança geográfica, a nossa história de quase seis séculos, a força telúrica que nos une e a nossa inspiração artística. Neles resistimos e com eles partimos, levando a ilha connosco. Numa experiência diferente em cada geração, é certo, mas com a tónica comum da insularidade, do cheiro a maresia, das tremuras do basalto, das ressonâncias da ausência.”


Os Centros de Atividades Ocupacionais de Velas e Calheta expressaram no palco do Auditório Municipal, completamente lotado, sentimentos que comoveram a assistência, tocando sensibilidades e consubstanciando os conceitos de inclusão e intergeracionalidade, cultura e solidariedade presentes nestes Concertos que a Assembleia promete levar a todas as ilhas dos Açores.


Reminiscências de outrora, simbolismos da ilha e dos seus prolongamentos migratórios, mas também pontes para o futuro foram tónicas da viagem musical proporcionada pelo Concerto Solidário, cujos donativos reverteram, por sorteio, a favor da instituição Santa Casa da Misericórdia de Velas.

(versão p/impressão)



 

   
 Registo Fotográfico