Nota Informativa da Presidência da ALRAA - Inauguração da Exposição "54 Páginas das Nosas Letras".

Numa cooperação institucional entre a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e o Parlamento da Galiza, foi inaugurada, na sede da Assembleia, a Exposição “54 Páginas das Nosas Letras”.

Esta exposição resulta da celebração anual do Dia das Letras Galegas, organizada pelo Parlamento da Galiza em colaboração com a Junta da Galiza e a Real Academia Galega, e tem como objetivo divulgar a obra de personalidades que se destacaram pela sua criação literária em galego ou simplesmente pela defesa da língua galega.

A Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, durante a sessão de inauguração, destacou que esta cooperação institucional foi já reconhecida e premiada pela CALRE (Conferência de Assembleias Legislativas Regionais Europeias).

No fim da sessão de apresentação, Ana Luís, sublinhou que a deslocação aos Açores da exposição “54 Páxinas das Nosas Letras” tem como objetivo “estreitar os laços que unem estas duas regiões europeias, que para além da língua, partilham igualmente o mar e a condição autonómica”.

A exposição ficará patente ao público até dia 30 de setembro e poderá ser visitada diariamente entre as 9h00 e as 00h00.

Horta, 20 de julho de 2016

(versão p/impressão)

Discurso da Presidente da ALRAA, Ana Luísa Luís, na edição fac-simile poliglota e da publicação de Antero de Quental e Teófilo Braga, no dia 20 de julho, na Sala de Comissões do  Parlamento Açoriano.

Caros colegas da Mesa
Exmo. Senhor Miguel Santalices Vieira, Presidente do Parlamento da Galiza
Exmo. Senhor Xésus Alonso Montero, Presidente da Real Academia Galega
Exmo. Senhor Valentín Garcia Gómez, Secretário Geral da Política Linguística da Junta da Galiza
Exma. Senhora Vice Presidente Segunda e Senhor Secretário do Parlamento da Galiza
Exmo. Senhor Ramón Villares, Presidente do Conselho da Cultura Galega
Restantes elementos da comitiva do Parlamento da Galiza
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal da Horta
Exmos. Senhores Deputados Regionais
Exma. Senhora Diretora Regional da Juventude em representação de Sua Excelência o Presidente do Governo Regional
Demais autoridades
Caros convidados,

Muito obrigada a todos pela vossa presença!

Hoje a distância entre Portugal e Espanha fica mais ténue com a presença entre nós de uma comitiva da Galiza, liderada por Don Miguel Santalices Vieira, Presidente do Parlamento da Galiza, para celebrarmos a herança linguística que nos une.

A vossa presença nos Açores enche-nos de alegria e por isso desejo agradecer-vos a forma pronta e sempre disponível na organização desta exposição que simboliza a união, por via da língua, entre os Açores e a Galiza!

Este agradecimento é extensivo à Exma. Senhora Dona Pilar Rojo Nogera, anterior Presidente do Parlamento Galego, que em outubro de 2015, aquando a reunião plenária da Calre (Conferência das Assembleias Legislativas Regionais da Europa) em Milão, concordou em estreitar os laços que unem estas duas regiões europeias, que para além da língua, partilham igualmente o mar e a condição autonómica, permitindo a deslocação aos Açores da exposição “54 Páxinas das Nosas Letras”.

Esta exposição tem a finalidade de destacar a identidade linguística comum dos dois idiomas – português e galego e hoje será a ponte que une os Açores, região portuguesa plantada no meio do Atlântico, à Galiza, região espanhola que desde os primórdios esteve próxima de Portugal.

O galego e o português partilham a mesma raíz, e apesar do trajeto autónomo que trilharam, ainda hoje, estas duas línguas repartem grafia e fonética similares.

Estas similitudes foram reforçadas pela “Lei Valentim Paz-Andrade”, aprovada em 14 de março de 2014, pelo Parlamento da Galiza, nascida a partir da Iniciativa Legislativa Popular Valentín Paz-Andrade, de onde se retira o nome pelo qual a lei é mais comumente conhecida. Trata-se de um instrumento normativo que visa estreitar os laços entre a Galiza e Portugal, extensiva a todos os países onde o Português é a língua oficial.

Desta exposição fazem parte 54 nomes de autores, poetas, jornalistas e outras individualidades que têm em comum a defesa e divulgação do galego, 54 nomes que escrevem 54 páginas da história da língua galega.

Mas hoje também nos reunimos em torno de dois nomes de vulto da literatura e da língua portuguesa, com origem nos Açores. Hoje falaremos igualmente de Teófilo Braga e Antero de Quental e na sua relação com autores galegos, muitos deles homenageados na exposição que teremos oportunidade de apreciar.

E assim, quase de forma inesperada, os Açores estão efetivamente mais próximos da Galiza:

- através da língua;

- da forma como lidamos com o Mar, se considerarmos que a Galiza tem 1.600 km de costa e é ao longo desta costa que se concentra a maior parte da sua população. O mar é, para a Galiza, como para os Açores, fundamental como atrativo turístico, base da economia e fonte de estudo e investigação;

- na partilha de antepassados comuns, se considerarmos que participaram no povoamento açoriano famílias galegas;

- mas também na estrutura política-organizativa. Somos ambas regiões autónomas, com órgãos de governo próprio. Pelo que, no ano em que os Açores celebram os 40 anos da sua Autonomia esta colaboração entre dois parlamentos autónomos  não poderia ser mais adequada.

Termino fazendo votos que esta cooperação institucional, reconhecida e premiada pela Calre, seja o início de uma relação duradoura e produtiva e que possamos através de muitas outras iniciativas, como esta, demonstrar que é muito aquilo que nos une apesar da distancia física que nos separa.

(versão p/impressão)

PRESIDENTE DO PARLAMENTO DA GALIZA NA ILHA DO FAIAL PARA INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “54 PÁXINAS DAS NOSAS LETRAS”

No próximo dia 20 de julho, pelas 18:30, é inaugurada na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores a exposição do Parlamento da Galiza - “54 Páxinas das Nosas Letras”.

Esta exposição resulta da celebração anual do Dia das Letras Galegas, instituída em 1963, que se realiza a 17 de maio e é organizado pelo Parlamento da Galiza e pela Real Academia Galega, instituição fundada em 1906 para preservar o idioma galego. Esta celebração tem como objetivo homenagear personalidades que se destacaram pela sua criação literária em galego ou simplesmente pela defesa da língua galega. Em cada ano é dedicado a uma personalidade diferente, escolhida pela Real Academia Galega.

Os dois idiomas oficiais de Galiza são o castelhano - a língua oficial da Espanha - e o galego. O galego é reconhecido como a língua própria de Galiza e tem com o português o mesmo tronco comum, o galaico-português ou galego-português. Este era o idioma falado durante a Idade Média nas regiões de Portugal e Galiza.

O galego passou vários séculos sem cultivo literário, relegado à condição de um dialeto falado e sem qualquer norma ou gramática normativa. No século XIX, com o Romantismo, houve uma redescoberta das raízes nacionais e com ela o renascimento literário galego. Como impulsionadores deste movimento destacam-se os autores açorianos Antero de Quental e Teófilo Braga. No entanto, durante o regime de Franco as nacionalidades periféricas foram reprimidas e com isso também o culto das suas línguas.

Com a autonomia das regiões históricas espanholas, procurou-se padronizar o galego. Em 1982, a Real Academia Galega e o Instituto de Lingua Galega aprovaram e publicaram um documento conjunto que pretendeu unificar a ortografia e a morfologia: Normas ortográficas e morfolóxicas do idioma galego. Actualmente, procura-se intensificar o uso do galego que é utilizado tanto nos meios de comunicação da Galiza como no ensino primário, secundário e universitário.

O galego é a língua mais próxima ao português, possui 85% de inteligibilidade com o português, no entanto, é fácil observar muitas diferenças entre ambas e que se encontram na fonética, na morfologia, na sintaxe, na ortografia e no léxico. A “Lei Valentim Paz-Andrade” aprovada em 14 de março de 2014, é uma lei do Parlamento da Galiza e trata-se de um instrumento normativo que visa estreitar os laços da Galiza e da variedade galega da língua portuguesa com o resto de variedades da língua portuguesa e os países em que ela é oficial. O aproveitamento do português é visto naquela região como uma forma de potenciar a utilização do galego, dada a sua proximidade, facilidade de compreensão e tronco comum de origem, em termos linguísticos.

Foi neste sentido, que as duas regiões autónomas representadas pelo Parlamento da Galiza e pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores concertaram esforços para trazer esta exposição aos Açores. A exposição apresenta uma coleção pertencente ao Parlamento da Galiza, compreendendo 54 quadros que representam as caricaturas das personalidades literárias galegas homenageadas, desenhadas pelo ilustrador Siro López e materializadas pelo escultor Ferreiro Badía.

Além da exposição, o Parlamento da Galiza e a Real Academia Galega vão apresentar duas edições que refletem a estreita relação entre alguns escritores galegos, representados na exposição, e os ilustres escritores açorianos  Antero de Quental e Teófilo Braga.

Este evento conta com a presença da Senhora Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, bem como do Presidente do Parlamento da Galiza que estará acompanhado pelo Presidente da Real Academia Galega, pelo Presidente do Conselho da Cultura Galega e pelo Secretário-Geral da Política Linguística.

Horta, 18 de julho de 2016

(versão p/impressão)